Bárbara Salimena

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Resenha - A menina submersa: memórias

 

Título: A menina submersa: memórias

Título original: The Drowning Girl: a memoir

Autora:  Caitlín R. Kiernan

Ano: 2012

Traduzido por: Ana Resende e Carolina Caires Coelho, 2014

Editora: Darkside

Gênero: Ficção, fantasia

Páginas: 320

 

Sinopse:

 

"A menina submersa: memórias" é um verdadeiro conto de fadas, uma história de fantasmas habitada por sereias e licantropos. Mas antes de tudo uma grande história de amor construída como um quebra-cabeça pós-moderno, uma viagem através do labirinto de uma crescente doença mental. Um romance repleto de camadas, mitos e mistério, beleza e horror, em um fluxo de arquétipos que desafiam a primazia do "real" sobre o "verdadeiro" e resultam em uma das mais poderosas fantasias dark dos últimos anos. Considerado uma "obra-prima do terror" da nova geração, o romance é repleto de elementos de realismo mágico e foi indicado a mais de cinco prêmios de literatura fantástica, e vencedor do importante Bram Stoker Awards 2013.

 

O trabalho cuidadoso de Caitlín R. Kiernan é nos guiar pela mente de sua personagem India Morgan Phelps, ou Imp, uma menina que tem nos livros os grandes companheiros na luta contra seu histórico genético esquizofrênico e paranoico. Filha e neta de mulheres que buscaram o suicídio como única alternativa, Imp começa a escrever um livro de memórias para tentar reconstruir seus pensamentos e lutar contra o que seria "a maldição da família Phelps", além de buscar suas lembranças sobre a inusitada Eva Canning, sua relação com a namorada e consigo mesma, que evoca em muitos momentos a atmosfera de filmes como Azul é a Cor mais Quente (Palma de Ouro em Cannes, 2013) e Almas Gêmeas (1994), de Peter Jackson. 

Não se assuste: é um livro dentro de um livro, e a incoerência uma isca para uma viagem mais profunda, onde a autora se aproxima de grandes nomes como Edgar Allan Poe e HP Lovecraft, que enxergaram o terror em um universo simples e trivial - na rua ao lado ou nas plácidas águas escuras do rio que passa perto de casa -, e sabem que o medo real nos habita. O romance evoca também as obras de Lewis Carrol, Emily Dickinson e a Ofélia, de Hamlet, clássica peça de Shakespeare, além de referências diretas a artistas mulheres que deram um fim trágico à sua existência, como a escritora Virginia Woolf.


Com uma narração intrigante, não-linear e uma prosa magnífica, Caitlín vai moldando a sua obsessiva personagem. Imp é uma narradora não-confiável e que testa o leitor durante toda a viagem, interrompe a si mesma, insere contos que escreveu, pedaços de poesia, descrições de quadros e referências a artistas reais e imaginários durante a narrativa. Ao fazer isso, a autora consegue criar algo inteiramente novo dentro do mundo do horror, da fantasia e do thriller psicológico. 

 

A epígrafe do livro retirada de uma música da banda Radiohead - "There There" - diz muito sobre o que nos espera: "Sempre há um canto de sereia lhe seduzindo para o naufrágio".

 

A Menina Submersa é como esse canto, que hipnotiza até que tenhamos virado a última página, e fica conosco para sempre ao lado de nossas melhores lembranças.

 

 

Resenha:

 

Eu não conhecia nada sobre esse livro e nem mesmo sobre a editora Darkside até o dia em que o ganhei de presente. Hoje sei que a Darkside é uma editora que demonstra ter muito cuidado e carinho com a arte dos livros, e assim que vi a capa de A menina submersa, me apaixonei de verdade. Nunca havia visto nada parecido e fiquei muito curiosa e empolgada para começar a ler. Essa é uma edição especial de capa dura e tem uma arte linda de libélula e escamas em relevos. Todas as páginas possuem um cuidado visual muito grande.

 

Bom, já à respeito da história: também nunca tinha visto nada parecido antes! Mas adorei descobrir esse tipo de leitura. A história é narrada pela personagem India Morgan Phelps, a Imp, que é esquizofrênica assim como sua avó e sua mãe eram antes dela. A narração de Imp muitas vezes é confusa, sem ordem cronológica e ela mesma nos esclarece que pode estar contando coisas que não sabe muito bem se aconteceram de verdade ou se foram criadas em sua mente. E isso só me instigou cada vez mais a continuar lendo, pois a cada página ficava mais curiosa para saber o que de fato havia acontecido.

 

Imp logo de cara já diz que essa é uma história de fantasmas, sereias e lobos. E de fato é. Por isso o livro conseguiu me conquistar muito facilmente, já que me identifico MUITO com essa obsessão por sereias e lobos! A narradora conta sobre suas loucuras, dificuldades, romances, seu encontro com uma mulher lobo-sereia misteriosa e até transcreve contos que ela mesma criou entre as páginas do livro.

 

Essa é uma leitura muito bonita e intensa, mas deve ser feita com muita calma e paciência, devido principalmente à esses momentos mais confusos de desordem cronológica, mas também por citar diversos fatos, autores e pintores (alguns reais e outros criados pela autora) que nos deixam extremamente curiosos para pesquisar à respeito!

 

Eu super indico essa leitura à quem tem costume de ler bastante e gosta dessa temática, mas recomendo que ela seja feita bem devagarzinho mesmo, com muita calma, e até voltando nas páginas anteriores quando julgar necessário!

 

E aí, você já leu A menina submersa: memórias? Se não, a resenha te deixou interessado? Conta pra gente!

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Bárbara Salimena, 28 anos.

É formada nos cursos Artes e Design e Moda da UFJF. Vegetariana, é apaixonada por animais em geral, mas seus maiores amores são a cadelinha Isis e os gatinhos Mia, Vicky, Nick e Lucy. Adora moda, lanches, maquiagem, música, filmes e ler um bom livro.